terça-feira, 20 de novembro de 2007

O amor é a efemeridade do ódio.


Eu amo, tu amas, ele ama; no entanto, odiamos e enciumamos sobre o objeto amado.
Os seres não-transcendentes pelo amor são seres com abertura, carente, ao mundo; se agarrando a oportunidades ilusórias, a verdadeira má-fé de Sartre; se enganando quanto a verdadeira intenção, nua e crua, de tal sentimento. O que implica, uma situação de posse-empossada, nos traindo com sensações passageiras, pois a segurança que se verifica ante o objeto amado nos pertencendo, gera um vinculo com tal sentimento, que ele só se faz existir, de fato, se estivermos também como consciência desta posse do objeto amado. No que se trata de sua falta, torna-se ciúme histérico. Por isso a necessidade do compreender o que representa o verdadeiro amor. Ainda assim ele padece de defeitos. Afinal, mesmo que seja um sentimento divino, ele veio ter gênese no humano, portanto, imperfeito e limitado. Mesmo que sua concepção tenha sido perfeita e infinita.
Na transcendência do amar, pois saímos da situação de não-amo, passamos a agir inteiramente com má-fé, pois desvinculamos a realidade em torno de um sentimento que apraz o espírito, no momento em que tal objeto esta entretida ao meu ser. Nos enganamos com a realidade, alguns pensamentos se tornam sem valores, ideais são vendidos em busca de uma passageira calma de espirito(o amar), mas jamais essa calma se torna eterna, visto que todo relacionamento implica divergências de opiniões, a afirmação da individualidade do ser, o Eu.
No começo nos enganamos achando que a outra pessoa é o ser idealizado que falta a minha complementação. Mas, na verdade, o “vazio” está em meu ser. Somente posso ser completo mediante a consciência como formadora do meu existir e aceitação do que realizo como ser (amor próprio). Sem este pré-requisito, sou incapaz de amar o outro. Para se amar verdadeiramente, é necessário que estejamos em uma condição do em - si, verdadeiro e completo. Para que possamos notar o outro, não como complemento, e sim como parte de mim.
Decerto, uma realidade causticante e atormentada para quem vive no para-si.
Só é capaz de odiar aquela pessoa que pode amar. Se em seus anseios procura por alguém, perceba aqueles defeitos que afastam-nos de determinadas pessoas, pois na realidade é algo nelas que nos atraem na repulsa, elas não nos são indiferentes.

Um comentário:

Lilian Valadão Rezende disse...

Você sempre escreveu super bem. Gostei muito, a linguagem flui claramente, apesar de você ser bem "erudito". Mas seus escritos sempre foram assim, e são lindos!
Meu anjo caído...te amo!!