quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Vazio de Sentido

Vazio de sentido torno meu pesar mais angustiante; a dor da perda intrinsecamente ligada ao meu ser.
Sou sofrimento e sou pura dor em meu transcender; exponho sentimentos represados no bojo de minha consciência, sentimentos estes que mostram a minha fraqueza diante da expressão de meu viver.
Sou tomado por recordações tão nítidas a ponto das imagens serem tangíveis aos meus olhos: seu rosto, flores; sua ira, tempestade; seu carinho, o hidromel ; seu sexo o próprio big-bang em meus sentidos...
Me faz falta você. Estou vazio. Sou tomado pelo horror diante do novo. O desespero de ser sem você atormenta meu espírito.
A morte talvez seja desta forma: um vazio de sentido. Será que estou morto?
Onde estarás que não estais ao meu lado?
Só... somente só! Assim permaneço.
O silêncio invade minha mente. Sou tomado pelo pavor da solidão. Meu universo não pode ser representado como um grito no vazio. Preciso de você!
Lamento a mim. Pois, por poucas vezes me sentira como um escárnio no meio da existência como agora. Ainda, ao aperceber-me nesta situação, sei que este processo de adaptação tem que se tornar permanente. Somente assim posso ser forte e moldável ao “admirável mundo novo”. Mas sou obrigado a admitir com Schopenhauer: “O homem é cativo demais para o super-homem...”. A nossa afetividade é tomada de assalto por um arrependimento amalgamado a dor da perda, o que nos torna voláteis a situação, ficamos fundidos ao meio. Expostos a diversas situações que transgridem a nossa objetividade. O mundo perde-se no horizonte como uma pintura surrealista, sem vínculo integral com o real.
Vou-me. Parto pelo início da via solidão. Agrilhoado a correntes adamantinas na insanidade, apercebo-me quebrado, partido.
A objetividade deve ser restaurada, não posso permitir-me a tamanho desatino diante de minha idade. Já sinto que não posso ser mais irresponsávelmente adolescente. Finalmente me dei conta que cresci, o que no fundo também é um dos gatilhos os quais me posicionam no desespero. Até quando posso me permitir não querer modelar a minha realidade de maneira a me aprazer em todas as formas e sentidos? Meu empenho para comigo esta a se tornar uma derrocada de minha vaidade. Não posso me flanquear do momento. Tenho que adquirir uma consciência plena de meu mundo e torná-lo algo moldável a minha vontade, como uma flecha ( atirada por um arqueiro zen ) que caminha em direção ao alvo, nula de intencionalidade, a priori, destituída de conscientizar-se. Ela simplesmente vai. Se torna caminho ao alvo naturalmente. Assim deve ser construída a fortaleza da vontade para atingir objetivos sem que estes, porventura, possam nos transformar como crítico intersubjetivo. Aquele que busca a perfeição somente pode se completar perante o amor, mas este não é o único caminho. A vida é levada por caminhos tortuosos e neles o gênio deve fluir, para que construa a estrada reta do conhecimento, sem afetar-se pelo meio vivido.
Mas, o sofrimento retorna e o vazio existencial se faz presente. Até mesmo a minha arrogância já não comporta as minhas palavras, sou obrigado a ferir-me e sentir-me como um... Solitário!
Onde estarás que não estais ao meu lado?
A morte talvez seja desta forma: um vazio de sentido. Será que estou morto?
Deixo-me corroer pela auto-piedade; é terrível como esse sentimento é deplorável, não pretendo permanecer neste conjunto ridículo e idiota me sentindo o ferido na cruz. Tenho que imbuir em meu ser a força motriz da vontade a priori. Devo-me retornar como uma transcendência na forma possível dentro do impossível, movido pelo caos, valorizando as minhas boas ações iniciais e tornando algo complementar a própria humanidade, em meu ato de existir. Esta deve ser a trilha a ser seguida. O objetivo da seta. Tenho que sobreviver, estou ansioso e desesperado. O novo mundo pode representar a minha firmação como ser, o meu Dasein está contido na perfeição. Não posso permitir que a razão que possuo possa transgredir em insanidade, ou que eu possa dispensar o meu “bom senso” – como diria Descartes.
Por um breve piscar da eternidade, sinto que não mais fará parte de meu séquito de afetividades o TU. Sou novamente invadido por um sentimento vazio. Olho-me no espelho, procurando enxergar o meu fervor juvenil e de repente sinto o mundo esfarelar aos meus pés. Vem a lume em meu ser: Cronos começa a perceber minha alma. Sinto, primeiramente, uma desconfortável vontade de gritar, mas entendo que tenho que dar conta de meus instintos primais; sou terra, água, fogo e ar mais Razão, não posso permitir que impulsos sentimentais possam vir a obter o domínio da Razão. O Mundo é meu, eu o criei, somente eu posso modificá-lo, para o “bem ou mal”, se é que realmente este artifício maniqueísta possa acertadamente expor a “realidade”.
Eu sou o Deus do meu mundo. A soberania da minha individualidade sobressai ao mundo exterior e sua intersubjetividade.

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