sexta-feira, 25 de junho de 2010

Não quero o meu espírito pautado por receios escatológicos ou recompensas paradisíacas


Ardente se encontra meu espírito. Puro brilho. Ofuscante Ser. Alma ígnea.
Sou abalroado por sentimentos que faíscam e fulguram diante da realidade que me cerca.
Por vezes, me faço rogado. Forço- me a ostentar um semblante brando, enquanto meu pesar e refletir, são como duas galáxias colidindo entre si, puro pulso de energia brilhante.
Penso no porque de me ater preso a uma capa, um corpo; tornando-me , assim, escondido, oculto... inexprimível.
Soturnamente, meu cérebro, faz-se cruel. Malditos e execráveis engendros psicológicos. A máscara me é imposta automaticamente. Sem intervenção da razão.
Não permito de bom grado que se torne a sobrevivência ontológica de meu Ser os estratagemas psicológicos de meu cérebro. Combato-o com meu pensar, racionalizar.
Não pretendo ser conivente com os firmamentos cristãos. Minha existência não pode ser pautada pela falta de razão, baseada em dogmas. Não quero o meu espírito pautado por receios escatológicos ou recompensas paradisíacas, como representa o triptíco de Bosh: O Jardim das Delícias.
Quero explodir com a força de mil sóis. Ser quem sou: uma indizível quantidade de energia radiante. Devo ser a canção da vida, sua doce fruição.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Não pretendo me afogar em um lago congelado de mentiras



Engodo. Acho que, finalmente, encontrei nesta palavra a minha significação.
Sou um portador, o portador da verdade. Não desejei o fardo, mas o possuo. E, infelizmente, para quase todos, ela não é aquilo que buscam. Não, não é.
Em meus devaneios cheguei a conclusão do que é a verdade. Ela é limítrofe e possui dois princípios:
- Primeiro, ela é brilhante. É como o sol, nem todos conseguem fixar a visão nela;
- Segundo, ela é hedionda, extremamente hedionda, como a pior coisa jamais imaginável por um ser centrado no raciocínio. "O horror, o horror..."
Estes pontos limitam por demais aqueles que a desejam. Em um primeiro momento, nem todos aguentam a luz; e, no segundo, quando se observa algo que nao se espera, e este o parece como uma forma indescritível do horror, assusta-o. Causa aversão e medo.
Então, limita-se, assim, consideravelmente aqueles que podem enxergar, a priori, sua verdadeira essência.
Momentos insuportáveis seria o que posso proporcionar aos que a minha volta se encontram. Não mascaro a realidade. Não a distorço. Simplesmente, me alimento dela.
Não acredito no além-vida, não acredito em recompensas de um paraíso além da concretude do real. Nao sou platônico.
Não pretendo me afogar em um lago congelado de mentiras de um falso mundo.
Sou o que sou, dentro das opções do que posso Ser. Talvez, isso me deixe sozinho no meio da multidão.