terça-feira, 25 de maio de 2010

Existem noites em que os dias são fodas

Perdido, isolado do mundo. Sinto falta de quando podia, em minha mente, viajar.
Ja não me sinto propício ao devir perfeito. Falta-me a inspiração, o ardor que queima o peito, que me eleva aos céus.
Sumiram aquelas palavras que sussuravam pelo vento enchendo-me de sabedoria... excitando a imaginação.
Não compreendo como desprender-me de meus sentimentos, objetivos, propensões...
Aqui, neste lugar, me sinto no mais obscuro abismo que pode o ser humano ter chegado. Não mais sei o que quero. Estou a vagar pela existência, sem propósito.
Continuo sem conseguir dormir à noite. Fico esperando que a escuridão se aproxime; me esconda; me faça desaparecer por completo.
A noite. O escuro. Esconda-me!
Decepcionado com o mundo, comigo. Desacreditei nos meus próprios ideais. Sinto meus desejos desfalecerem. Não consigo desejar, absolutamente, nada.
Não quero deixar-me ir em depressão. Não pretendo arregar aos fatos. Afinal, como disse anteriormente, prefiro sofrer na máxima em que pode o humano, para refletir a felicidade em seus momentos, em mesma radiante intensidade. Não me interessa ser uma lacuna mediana. Prefiro os extremos. Ser a gênese da dor ou o esplendor da felicidade. Ser o mais escuro buraco negro ou a mais brilhante estrela.
Nao que eu me permita a chegar em um ponto mediano, como disse. Mas, existem noites em que os dias são fodas!

sábado, 8 de maio de 2010

Novos, sinuosos e obscuros caminhos.


O medo de tomar o primeiro passo. Desatar o nó do passado. Rasgar o vínculo com o antes. Decisões difíceis de serem tomadas. Neofobia do futuro.
Me dissolvo em receios os quais não podem ser sadios em busca do vir-a-ser. Devo me recolher na ausência do sentir, para, finalmente, Ser. Devo avaliar meus caminhos. Diagnosticar meu entendimento. Provir-me das forças do espírito, que, amalgamada a minha vontade me façam extirpar tal dependência afetiva. Preciso escutar o antigo e ensurdecedor som do silêncio. Me reerguer em meu existir. Ser a essência viva das estrelas.
Decerto, torna-se um alto pesar para aquele com o dom da consciência cósmica. Então, que ela em mim possa ser o maior peso que o humano possa suportar.
Não fui feito a semelhança do vidro, que em sua transparência se torna frágil. Mas, sim, sou moldado a frieza do titânio.
A resistência as quimeras existenciais. Assim sou EU.
Novos, sinuosos e obscuros caminhos. Esse é o destino que escolho.

domingo, 2 de maio de 2010

Livros Perdidos


Desprezar o conhecimento, optar por perder-se na ignorância; o que faz um ser perseverar pelo aniquilamento do maior bem humano?
Não consigo acreditar que ainda possam haver pessoas, tão unidas a mim, que ainda escolhem não-ser. Preferem a facilidade de um não-enxergar o óbvio, deixar-se levar como outros. O fluxo da ignorância optada. Causa-me verdadeiro terror o ritmo de tal escolha. A afirmação constante da destruição de mais uma geração pensante.
Enxergar aquilo o que queremos. Despistando uma realidade lógica e aparente que se apresenta diante de nós. Caminhar regularmente para uma aniquilação do ser... dos seres.
Percebo a atual desqualificação operada pelos nossos educadores, os quais são incentivados a não criarem alunos que teorizem criticamente - claro, não alongo ao todo tal opinião, mas a uma grande parcela. Professores devem possuir domínio e perseverança em sua arte. Fazer com que os alunos se interessem, como diria Einstein: "A tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer".
Estamos em um momento em que a educação se tornou um dilema. Políticos preferem manter a população imersa em "burrice" para que possam prolongar seus mandos corruptos, e, muitos professores em sua apatia, se deixam levar pela maré do não-ser. Desculpas de sálarios e péssimas condições são as mais alegadas. A meu ver, uma camuflagem da incompetência de operância. Drástica!
Os livros perdidos. Posso assim definir a maioria dos professores que atuam, hoje, na educação. Volto a repetir: "NÃO SÃO TODOS, MAS UMA GRANDE MAIORIA".
Penso que a educação necessita de um renovar de olhares, pois faço minhas as palavras de um dos maiores seres humanos, o homem que no século XX foi o "honoris causa" da dissipação do conhecimento, Carl Sagan :
"No futuro, não muito distante, haverá poucos empregos para pessoas altamente educadas e bem preparadas. Não haverá chances para todo mundo. A qualidade do ensino é precária no mundo inteiro e isso terá graves conseqüências. Em especial, a educação científica é deplorável. Em quase todo o mundo os professores ainda são mal remunerados e a qualidade do ensino de ciências é muito deficiente. Para mim, este é um dos piores problemas que enfrentamos atualmente, causador de muitas desgraças. No início deste século, o escritor H.G. Wells dizia que "o futuro será uma corrida entre a educação e a catástrofe". No momento, acho que estamos perdendo a corrida".