
Hoje eu vi a morte. Estava eu, dormindo, sonhando que caminhava, despreocupadamente, em um verdejante vale, quando fui rompido por uma negra massa e, subitamente, me vi a beira da galáxia, flutuando no espaço. Ela havia me procurado para debater.
De seus escuros, e puramente, negros olhos, ela me fitava. Dentro da minha mente escutava-a. Sua voz não era tenebrosa e nem doce. Era vazia... sem som. Mas os seus olhos é que me assustavam, pois, não haviam reflexo da luz, era como um buraco negro, consumia o mais brilhante raio de luz da mais vívida estrela. Eles não brilhavam. Simplesmente, consumiam a luz, e, estavam naquele momento direcionados, objetivando a minha alma. Então, percebi: que ela desejava, não sei... talvez... uma nova chance de me mostrar a verdade: sou um anjo expulso do céu. Mas ela não o disse.
Eu dialogaria com aquela entidade. De certa forma sempre soubera que estava aquém da expectativa de outros humanos, sabia que teria eu a capacidade de transformar-me em imortal, (não havia me apercebido como ex-integrante das hostes celestiais, ainda; havia temporariamente esquecido que era um anjo). Estaria extremamente grato por sentir que os planos a mim destinados seriam de relevante prestígio ao plano DELE. E a Morte, me procurou para saber o quanto dos sentimentos humanos e mortais pude adquirir. Foi quando percebi meu erro. Começamos por debater sobre a existência, dizia-lhe que por ser um humano e mortal não entendia como seu interesse poderia fixar em mim?
Sua resposta: -- o meu interesse em você, reside na verdade, você é um portador de uma de verdade, seja em quaisquer mundo ou universo existente. Você possui a parcela DELE em sua essência.
Assim, sinto que todo pensamento que já ousadamente tivera, em que me sentia especial, se demonstravam ali. Dentre poucos, eu era especial. A minha arrogância como ser especial se faz como um aprendizado e não por deboche. Caio no absurdo da minha realidade. Me dou conta que estou no vácuo e vejo as estrelas, penso em perguntas a fazer. Mas, antes de elaborar algo concreto diante daquele espanto, sou surpreendido pela sua voz sem som com a sua insinuação: -- o seu dia esta findando. O seu dia é curto.
Vejo que meu fim está próximo.
Mediante esta afirmação minha mente procura saída, e justamente em Bergman eu a vejo, uma forma de escapar ou prolongar mais um pouco minha parcela cronática, penso em desafiá-la, mas fico sem ação. Ainda não me dou conta de minha verdadeira natureza.
Ela escarnecia de mim, ria-se como se um grande palhaço fizesse a mais hilariante jocosidade e me responde: -- Não pense em me desafiar em nada, sou a Morte! Ninguém nunca me venceu!
Diante dessa afirmação sou tomado por um estranho calafrio, olho e vejo como tão sagaz ela se tornava mediante a aspectos psicológicos (atributos humanos, eu diria.), me colocou suspenso no vazio para que o meus sentidos tornem-se, na consciência, uma forma clara de impotência, diante de todo aquele espetáculo. Aquela entidade sabia como ter uma entrada triunfal, os olhos, a compreensão sem a fala, o discurso superior, o cenário...
Sim, decididamente, aquela era uma forma de assustar a qualquer cético que já tenha por esta terra caminhado. Aquela “majestade cósmica” ao meu redor imprimia em toda a sua grandiosidade uma forma de opressão, pois se existe alguma sensação de Nada – me desculpe, Sartre – foi aquilo pelo qual estava passando. A verdadeira expressão do Nada! É o que se sente a tão infinito esplendor.
Alguém bate na porta de meu quarto. Eu acordo. São 13:30 da tarde. Respiro aliviado. Mas, entendo, aquilo não era somente um sonho. Ainda me movia, o sol brilhava...e eu... ainda estava vivo. Mas sabia que nao era o cavaleiro Antonius. Acho que assisti muito ao Sétimo Selo.

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