quinta-feira, 29 de novembro de 2007

É o que me restou no mundo de Deus

Um cadáver por sobre os iguais,
Em um pântano escuro e fétido,
Ressurgindo com uma repugnância visceral,
Odeio a minha disforme realidade.
Rodopio em desejos e, mantenho, a fúria contida,
Me desespero na raiva e hesitação.
Minha, outrora, boa aparência já se esvai;
Me torno um corpo pútrido, decompondo lentamente.
Sou, então, assim: uma coleção de ossos e vísceras.
Uma sinfonia macabra tornando a minha consciência um espelho.
Um espelho de minha vergonha como andrajo carnal,
Com a resoluta resignação de meu existir no mundo,
Através do prosseguir nas ações grotescas do pensamento,
Me enveredo nas entranhas de um inferno em vida.
Estou morto, estou sem você, sem ela, sem eles...
Solitário no limbo fétido deste pântano.
Aqui, no mundo onde a vida só existe como forma de lembrança,
Aqui, o cheiro de suas asas purulentas, com vermes; infestam o ar;
Seu podre hálito permeia por aqui. Estabelece seu reino.
Estou encarcerado em uma existência maldita.
A morte como minha perpétua companheira.
Os fungos, bactérias, vermes da decomposição como amantes;
Acariciando aquilo que um dia fora carne pulsante,
Hoje, nada mais do que fiapos de uma existência de vida.
É o que me restou no mundo de Deus.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Num vórtex de emoções tenho a alma digerida.

Num vórtex de emoções tenho a alma digerida.
Sinto-me... momento. Plenitude de tempo... estou só.
Fico perdido em uma imensidão, preenchida, somente, com a minha presença.
A vastidão me causa a princípio: perplexidade! Se apossa de mim este alucinante sentimento, para logo após, ocorrer a apresentação bestial da horrenda face do medo.
Estou só, sem natureza ou qualquer outro indício de uma presença, seja ela qual for. Estou só. Nem Deus e nem o Diabo se preocupam com minha sorte. Os deuses estão atarefados demais para mim. Vago na solidão cósmica.
Sofro, mas, não hei de derramar as minhas, sinceras, lágrimas diante do medo. Posso estabelecer parâmetros para enfrentá-lo.
Sou capaz de redimir a minha capacidade de hesitar diante do infinito. Nunca estive a cargo de uma força ordinariamente maléfica. Puro é ainda meu ser, mas, infelizmente, são necessários mais de um pensamento para preencher uma imensidão, essa pureza de alma perde-se nas vagas do espaço que, amalgamado a solidão, nos faz sentir pleno de nosso sofrimento, dos sentidos... do tempo.
A minha alma digerida por um vórtex de emoções.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sonhei hoje.




Hoje eu vi a morte. Estava eu, dormindo, sonhando que caminhava, despreocupadamente, em um verdejante vale, quando fui rompido por uma negra massa e, subitamente, me vi a beira da galáxia, flutuando no espaço. Ela havia me procurado para debater.
De seus escuros, e puramente, negros olhos, ela me fitava. Dentro da minha mente escutava-a. Sua voz não era tenebrosa e nem doce. Era vazia... sem som. Mas os seus olhos é que me assustavam, pois, não haviam reflexo da luz, era como um buraco negro, consumia o mais brilhante raio de luz da mais vívida estrela. Eles não brilhavam. Simplesmente, consumiam a luz, e, estavam naquele momento direcionados, objetivando a minha alma. Então, percebi: que ela desejava, não sei... talvez... uma nova chance de me mostrar a verdade: sou um anjo expulso do céu. Mas ela não o disse.
Eu dialogaria com aquela entidade. De certa forma sempre soubera que estava aquém da expectativa de outros humanos, sabia que teria eu a capacidade de transformar-me em imortal, (não havia me apercebido como ex-integrante das hostes celestiais, ainda; havia temporariamente esquecido que era um anjo). Estaria extremamente grato por sentir que os planos a mim destinados seriam de relevante prestígio ao plano DELE. E a Morte, me procurou para saber o quanto dos sentimentos humanos e mortais pude adquirir. Foi quando percebi meu erro. Começamos por debater sobre a existência, dizia-lhe que por ser um humano e mortal não entendia como seu interesse poderia fixar em mim?
Sua resposta: -- o meu interesse em você, reside na verdade, você é um portador de uma de verdade, seja em quaisquer mundo ou universo existente. Você possui a parcela DELE em sua essência.
Assim, sinto que todo pensamento que já ousadamente tivera, em que me sentia especial, se demonstravam ali. Dentre poucos, eu era especial. A minha arrogância como ser especial se faz como um aprendizado e não por deboche. Caio no absurdo da minha realidade. Me dou conta que estou no vácuo e vejo as estrelas, penso em perguntas a fazer. Mas, antes de elaborar algo concreto diante daquele espanto, sou surpreendido pela sua voz sem som com a sua insinuação: -- o seu dia esta findando. O seu dia é curto.
Vejo que meu fim está próximo.
Mediante esta afirmação minha mente procura saída, e justamente em Bergman eu a vejo, uma forma de escapar ou prolongar mais um pouco minha parcela cronática, penso em desafiá-la, mas fico sem ação. Ainda não me dou conta de minha verdadeira natureza.
Ela escarnecia de mim, ria-se como se um grande palhaço fizesse a mais hilariante jocosidade e me responde: -- Não pense em me desafiar em nada, sou a Morte! Ninguém nunca me venceu!
Diante dessa afirmação sou tomado por um estranho calafrio, olho e vejo como tão sagaz ela se tornava mediante a aspectos psicológicos (atributos humanos, eu diria.), me colocou suspenso no vazio para que o meus sentidos tornem-se, na consciência, uma forma clara de impotência, diante de todo aquele espetáculo. Aquela entidade sabia como ter uma entrada triunfal, os olhos, a compreensão sem a fala, o discurso superior, o cenário...
Sim, decididamente, aquela era uma forma de assustar a qualquer cético que já tenha por esta terra caminhado. Aquela “majestade cósmica” ao meu redor imprimia em toda a sua grandiosidade uma forma de opressão, pois se existe alguma sensação de Nada – me desculpe, Sartre – foi aquilo pelo qual estava passando. A verdadeira expressão do Nada! É o que se sente a tão infinito esplendor.
Alguém bate na porta de meu quarto. Eu acordo. São 13:30 da tarde. Respiro aliviado. Mas, entendo, aquilo não era somente um sonho. Ainda me movia, o sol brilhava...e eu... ainda estava vivo. Mas sabia que nao era o cavaleiro Antonius. Acho que assisti muito ao Sétimo Selo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O futuro como opções ao SER

A angústia no Ser se forma pelo receio do vir-a-ser expresso na totalidade da consciência. É a ansiedade na natureza do Dasein, o homem amedrontado pelo seu futuro, pela sua vasta gama de liberdade em suas escolhas e opções e é justamente pelo fato de serem ambas amplas demais, que irá nos remeter a uma condição temerária da própria escolha.
O medo do fracasso no devir nos faz soçobrar no ímpeto de arriscar-se em uma transcendência, as nossas apreensões no lançar-se ao mundo nos deixa com a sensação da segurança em nosso atual patamar emocional, mas o fato, como diria Nietzsche em sua idéia de evolução, o papel do homem não é se estabilizar em um nicho perfeito e sim transcender toda existência, numa forma contínua e nunca completa – skaton .
Assumindo dentro da liberdade pessoal a condição de consciência transcendente e depurada, posso transformar minha realidade. Agir como senhor de meu universo. Assim permito que o que está em minha vida, somente permaneça se meu desejo assim o quiser, ou, caso, minha capacidade de retaliação de situações inadequadas de acordo com minha vontade seja débil.
A representação do que sou é formada por um discurso significativo do que pretendo, embasado pelas minhas atitudes, as quais formulam a minha existência como SER.
A justaposição da razão sobre a emoção deverá guiar as atitudes para SER, caso contrário estarei fadado ao “erro instintivo”(amor sem noção de conseqüência), colocando desta forma uma capacidade de SER altamente egoísta, pois o amor somente deseja acima de tudo o objeto amado, castrando em sua liberdade de escolha e forma de SER, o que consequentemente irá acarretar numa ruptura afetiva pelo fato de esquecermos que existe a intersubjetividade, portanto não somos apenas doadores de sentido mas também receptivo ao sentido do mundo. Então temos que aceitar o fato que os indutores existênciais é que guiam nosso SER.
As vivências, seja ela subjetiva ou intersubjetiva, é o que estará nos particularizando a noção de mundo. Tenho receio de não ter a maturidade suficiente para optar por um futuro que deságua na imortalidade. Do amor cego, que refreia a intempestuosidade de minha alma quando penso em nos dois. Um amor inconsequente que abrange o meu horizonte chamado: futuro

domingo, 25 de novembro de 2007

Sol



AURORA
Aqui! Novamente vendo-o nascer. Sem acompanhamento. Somos nós dois. Minto (afinal, sempre exagerei) tem galos cantando com toda força para ti, pássaros voando...
Ai de mim perdê-lo para sempre. Seria triste. Imensamente triste.
Irás ser a lâmpada que levanta para iluminar o mundo de novo. Sorrindo!...
Serás o grito da vida em sua exuberância abundante. Serás tudo! Rei do Céu!
Olharemos e brindaremos com o sangue da terra a sua presença, revelando como sois belo e imponente. Até a mãe de todos – a lua, aguarda-o chegar para se despedir. Os planetas então, brilhantes, humildemente, deixam-se a sua luz fulgurante, como servos que, momentaneamente, roubaram-lhes o esplendor, furtivamente, na cálida noite.
Vem azulando, transpassando a escuridão; se sobrepondo as escondidas relvas que teimam fazer sombra em demasia. Iluminando-as.
Você que é capaz de deleitar-se com a beleza de flores que abrem somente a ti, sobre o comando de teus raios. Sim, até isto lhe pertence majestade.
Mortal, assisto a magnitude de Teu aparecer. Tão belo! Uma obra infinita, pois existe como reconhecimento a priori da priori a amplitude de sua existência, como fonte do calor, da esperança ...
Sempre! Retorne para sempre. Todo dia... faça dia.
És de novo, como amanhã, de novo... a luz do mundo.

sábado, 24 de novembro de 2007

Drummond pornograficamente Drummond

Não quero ser o último a comer-te

Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopra a flama antiga nem beber-te
aplacaria sede que não arde

em minha boca seca de querer-te,
de desejar-te tanto e sem alarde,
fome que não sofria padecer-te
assim pasto de tantos, e eu covarde

a esperar que limpasses toda a gala
que por teu corpo e alma ainda resvala,
e chegasses, intata, renascida,

para travar comigo a luta extrema
que fizesse de toda a nossa vida
um chamejante, universal poema.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sonhei com o demônio de cabelos vermelhos


Lilith, mulher antes de Eva, seus cabelos vermelhos demonstram o furor da libido incluso em ser tão delicioso e ao mesmo tempo perigoso. Com seus artificies sexuais estas a perturbar a noite dos homens. Sedenta, sai a noite de sua caverna para tentar a retidão do obtuso. Disposta a arrancar-lhe a última gota de semem que o corpo possa produzir.
Doce e querido demônio que nas minhas noites permeiam o meu pensar e assombra meus mais pérfidos e obscuros desejos. Vermelho teus pêlos, teu sangue, tua vida ... teu sexo!
Vermelho é a cor da sua existência. Vermelho é a cor do meu desejo por ti. Meu corpo sedento de seu afago, do seu corpo úmido contra o meu. Nós. O euvocê , o vocêeu. Unidos num galope pelo fantástico universo do prazer, descortinando nossas mentes em um mundo corrente de luxúria, lascívia, êxtase e dor, ódio e amor, loucura lúcida insana... PRAZER.
Quero ao seu mundo partilhar de suas orgias em sua escura e profunda caverna, onde o grito de dor não faz frente ao do prazer, e lá esta você com seus olhos semi-cerrados cavalgando para o êxtase do gozo, como quero ser eu a estar partilhando junto a ti de tão fabuloso deleite.
Me faça gozar!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Vazio de Sentido

Vazio de sentido torno meu pesar mais angustiante; a dor da perda intrinsecamente ligada ao meu ser.
Sou sofrimento e sou pura dor em meu transcender; exponho sentimentos represados no bojo de minha consciência, sentimentos estes que mostram a minha fraqueza diante da expressão de meu viver.
Sou tomado por recordações tão nítidas a ponto das imagens serem tangíveis aos meus olhos: seu rosto, flores; sua ira, tempestade; seu carinho, o hidromel ; seu sexo o próprio big-bang em meus sentidos...
Me faz falta você. Estou vazio. Sou tomado pelo horror diante do novo. O desespero de ser sem você atormenta meu espírito.
A morte talvez seja desta forma: um vazio de sentido. Será que estou morto?
Onde estarás que não estais ao meu lado?
Só... somente só! Assim permaneço.
O silêncio invade minha mente. Sou tomado pelo pavor da solidão. Meu universo não pode ser representado como um grito no vazio. Preciso de você!
Lamento a mim. Pois, por poucas vezes me sentira como um escárnio no meio da existência como agora. Ainda, ao aperceber-me nesta situação, sei que este processo de adaptação tem que se tornar permanente. Somente assim posso ser forte e moldável ao “admirável mundo novo”. Mas sou obrigado a admitir com Schopenhauer: “O homem é cativo demais para o super-homem...”. A nossa afetividade é tomada de assalto por um arrependimento amalgamado a dor da perda, o que nos torna voláteis a situação, ficamos fundidos ao meio. Expostos a diversas situações que transgridem a nossa objetividade. O mundo perde-se no horizonte como uma pintura surrealista, sem vínculo integral com o real.
Vou-me. Parto pelo início da via solidão. Agrilhoado a correntes adamantinas na insanidade, apercebo-me quebrado, partido.
A objetividade deve ser restaurada, não posso permitir-me a tamanho desatino diante de minha idade. Já sinto que não posso ser mais irresponsávelmente adolescente. Finalmente me dei conta que cresci, o que no fundo também é um dos gatilhos os quais me posicionam no desespero. Até quando posso me permitir não querer modelar a minha realidade de maneira a me aprazer em todas as formas e sentidos? Meu empenho para comigo esta a se tornar uma derrocada de minha vaidade. Não posso me flanquear do momento. Tenho que adquirir uma consciência plena de meu mundo e torná-lo algo moldável a minha vontade, como uma flecha ( atirada por um arqueiro zen ) que caminha em direção ao alvo, nula de intencionalidade, a priori, destituída de conscientizar-se. Ela simplesmente vai. Se torna caminho ao alvo naturalmente. Assim deve ser construída a fortaleza da vontade para atingir objetivos sem que estes, porventura, possam nos transformar como crítico intersubjetivo. Aquele que busca a perfeição somente pode se completar perante o amor, mas este não é o único caminho. A vida é levada por caminhos tortuosos e neles o gênio deve fluir, para que construa a estrada reta do conhecimento, sem afetar-se pelo meio vivido.
Mas, o sofrimento retorna e o vazio existencial se faz presente. Até mesmo a minha arrogância já não comporta as minhas palavras, sou obrigado a ferir-me e sentir-me como um... Solitário!
Onde estarás que não estais ao meu lado?
A morte talvez seja desta forma: um vazio de sentido. Será que estou morto?
Deixo-me corroer pela auto-piedade; é terrível como esse sentimento é deplorável, não pretendo permanecer neste conjunto ridículo e idiota me sentindo o ferido na cruz. Tenho que imbuir em meu ser a força motriz da vontade a priori. Devo-me retornar como uma transcendência na forma possível dentro do impossível, movido pelo caos, valorizando as minhas boas ações iniciais e tornando algo complementar a própria humanidade, em meu ato de existir. Esta deve ser a trilha a ser seguida. O objetivo da seta. Tenho que sobreviver, estou ansioso e desesperado. O novo mundo pode representar a minha firmação como ser, o meu Dasein está contido na perfeição. Não posso permitir que a razão que possuo possa transgredir em insanidade, ou que eu possa dispensar o meu “bom senso” – como diria Descartes.
Por um breve piscar da eternidade, sinto que não mais fará parte de meu séquito de afetividades o TU. Sou novamente invadido por um sentimento vazio. Olho-me no espelho, procurando enxergar o meu fervor juvenil e de repente sinto o mundo esfarelar aos meus pés. Vem a lume em meu ser: Cronos começa a perceber minha alma. Sinto, primeiramente, uma desconfortável vontade de gritar, mas entendo que tenho que dar conta de meus instintos primais; sou terra, água, fogo e ar mais Razão, não posso permitir que impulsos sentimentais possam vir a obter o domínio da Razão. O Mundo é meu, eu o criei, somente eu posso modificá-lo, para o “bem ou mal”, se é que realmente este artifício maniqueísta possa acertadamente expor a “realidade”.
Eu sou o Deus do meu mundo. A soberania da minha individualidade sobressai ao mundo exterior e sua intersubjetividade.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

AO MORRER...

Tudo é escuridão, me vejo de frente para o abismo.
A mão da renovação ceifa a minha porção de vida,
Vertendo o meu mundo com mares de ansiedade e dúvidas.
Vislumbro o dorso da imortalidade sofrer uma rachadura.
A lua desperta à beira do Éden, em um deserto de espinhos,
Em outro lugar e outro tempo.
A minha mente tramita no aqui - lá.
Dor... Um silvo agudo... Silêncio!
Vai, foi... Então, repouso no sono da morte.
Dor... Um silvo agudo... Silêncio!
A alma já no abismo céu-inferno, sente...
Vazio... O TODO!!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O amor é a efemeridade do ódio.


Eu amo, tu amas, ele ama; no entanto, odiamos e enciumamos sobre o objeto amado.
Os seres não-transcendentes pelo amor são seres com abertura, carente, ao mundo; se agarrando a oportunidades ilusórias, a verdadeira má-fé de Sartre; se enganando quanto a verdadeira intenção, nua e crua, de tal sentimento. O que implica, uma situação de posse-empossada, nos traindo com sensações passageiras, pois a segurança que se verifica ante o objeto amado nos pertencendo, gera um vinculo com tal sentimento, que ele só se faz existir, de fato, se estivermos também como consciência desta posse do objeto amado. No que se trata de sua falta, torna-se ciúme histérico. Por isso a necessidade do compreender o que representa o verdadeiro amor. Ainda assim ele padece de defeitos. Afinal, mesmo que seja um sentimento divino, ele veio ter gênese no humano, portanto, imperfeito e limitado. Mesmo que sua concepção tenha sido perfeita e infinita.
Na transcendência do amar, pois saímos da situação de não-amo, passamos a agir inteiramente com má-fé, pois desvinculamos a realidade em torno de um sentimento que apraz o espírito, no momento em que tal objeto esta entretida ao meu ser. Nos enganamos com a realidade, alguns pensamentos se tornam sem valores, ideais são vendidos em busca de uma passageira calma de espirito(o amar), mas jamais essa calma se torna eterna, visto que todo relacionamento implica divergências de opiniões, a afirmação da individualidade do ser, o Eu.
No começo nos enganamos achando que a outra pessoa é o ser idealizado que falta a minha complementação. Mas, na verdade, o “vazio” está em meu ser. Somente posso ser completo mediante a consciência como formadora do meu existir e aceitação do que realizo como ser (amor próprio). Sem este pré-requisito, sou incapaz de amar o outro. Para se amar verdadeiramente, é necessário que estejamos em uma condição do em - si, verdadeiro e completo. Para que possamos notar o outro, não como complemento, e sim como parte de mim.
Decerto, uma realidade causticante e atormentada para quem vive no para-si.
Só é capaz de odiar aquela pessoa que pode amar. Se em seus anseios procura por alguém, perceba aqueles defeitos que afastam-nos de determinadas pessoas, pois na realidade é algo nelas que nos atraem na repulsa, elas não nos são indiferentes.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Discurso de apresentação

Eu por muito tempo esquecera o meu objetivo de alterar de alguma forma, penetrante e densamente, o estado conceito de consciência lúcida. Esquecera minhas opiniões sobre o existente (TODO). Esquecera quem sou e para qual “desrumo” haverei de traçar.
Como pudera esquecer quem sou? Do porque sou? E como sou?
Reavivada por experiências sentimentais como anseio, ódio, raiva, desprazer, e outras qualidades vis; Me sinto ao mesmo tempo revigorado e com fôlego novo – afinal : “o que não nos mata, nos torna mais forte.”*. Agora... piedade?... nunca para comigo! Espero que tenham saudades e boas recordações. Não vejo com bons olhos as predições existenciais como fulgurante no meu “dasein”, de pessoa sórdida e fútil, em travar esta “guerrinha” por algo que talvez não valha a pena. Sei claramente que sou póstumo, mas sei também que: o que fazemos em vida ecoa por toda eternidade -- o que me leva a crer que este mero detalhe não importa. Portanto, não posso pensar em deixar de fazer o que tem que ser feito. Tenho simplesmente que fazê-lo. Toda a experiência obtida me tornara mais forte: sou capaz agora plenamente de enxergar tais nuances das existências residuais(se encontra nestes ditos uma boa risada: do físico até a existência, tais seres são somente resíduos , nunca inteiros – hahahaha!!!!!) seres despojados de responsabilidade para com a sua liberdade, sobrevivem a custa da mendicância dos conchavos “políticos”. Mesquinhos roedores existenciais, sua luz é tao fraca que jamais apareceriam mediante outras; e que por este motivo, tendem a ofuscar estrelas as quais nunca serão apagadas. Como pude por determinado momento me tornar alguém preocupado com uma inutilidade, um dejeto existencial que nem ao menos tem noção de realidade? E eu ainda, por breves instantes da minha vida, posicionei-me em um patamar idêntico; o que me torna um asco no florescimento intelectual da consciência do UNO. Incapazes de conseguir outro grande engajamento na vida, e eu enxergando tais falácias como verdades, hahaha!!!! (Tenho que caçoar de mim mesmo.)
Eu a própria encarnação do Deus vivo me rebaixando até o extremo de me tornar alguém que ao olhar no espelho pensa: eu fizera realmente este absurdo? Sou parte integrante deste sórdido jogo?
Quem sou eu?
Quem sou eu?
Quem sou eu?
Quem sou eu?
Sou o que faço. Os meus atos determinam meu posicionamento diante do mundo -- podendo ser de uma forma expressa em corporalidade(gestos, expressões...) ou discursiva(eu sou o meu discurso). Já a 2ª forma seria uma interpretação do desejo e não condizer com a realidade, em raríssimas exceções condiziria sim com a consciência atuante.
Serão estes pseudoargumentos integrantes de meu “dasein”? Acho que não!
Sou póstumo, mas pré-destinado. Sou aquele que veio ao universo para abrilhantá-lo e não obscurece-lo; sou uma forma de luz da consciência divina, portanto devo-me me ater a minha situação e agir como tal.