sábado, 20 de agosto de 2011

Gosto de envelhecer, é saudável.

Sei que o temor do tempo corrói a ambição da eternidade no humano. Por vezes, me peguei a elucubrar sobre a ferocidade e a inclemência de Chronnos.
Atualmente, percebo que envelhecer é o principal demonstrativo da luminescência da vida. Não tenho problemas com a velhice. Não tenho problemas com os grisalhos aqui e acolá. Tudo é finito. Eu sou finito.
ESTRELAS PERECEM.
Nós morremos, as flores, até mesmo algumas idéias... tudo morre.
Me recordo que algumas pessoas citam os momentos em que há o dar conta da idade. Se assustam. Aterrorizam-se.
Eu não. Creio que, somente, é mais um degrau na existência.
Aceito o tempo corroer a minha carne, sem problemas. Possuo armas como a atitude de minha consciência, "erlebnis", no sentido pleno dado por Dilthey.
Meu pensamento, hoje, centra-se nas consequências e possibilidades de uma compreensão inter-humana. Não sou mais uma criança com medo do escuro que busca na fé uma lâmpada para afastar as negras dúvidas do porvir.
A resposta sempre esteve em nós, humanos. O homem angustiado pelas suas possibilidades de escolhas. O reconhecimento do "l'enfer, c'est les autres", claro, reconhecida as fatalidades nos seres perante a inter-subjetividade.
Está no ato de envelhecer o verdadeiro momento o qual as cortinas se abrem para o palco do existir, aonde a vida aparece como estrela principal em seu mais glorioso papel.
O envelhecer faz parte desta peça, é a apoteose da "erlebnis" em sua plena realidade experimentada.
Gosto de envelhecer, é saudável.