
Engodo. Acho que, finalmente, encontrei nesta palavra a minha significação.
Sou um portador, o portador da verdade. Não desejei o fardo, mas o possuo. E, infelizmente, para quase todos, ela não é aquilo que buscam. Não, não é.
Em meus devaneios cheguei a conclusão do que é a verdade. Ela é limítrofe e possui dois princípios:
- Primeiro, ela é brilhante. É como o sol, nem todos conseguem fixar a visão nela;
- Segundo, ela é hedionda, extremamente hedionda, como a pior coisa jamais imaginável por um ser centrado no raciocínio. "O horror, o horror..."
Estes pontos limitam por demais aqueles que a desejam. Em um primeiro momento, nem todos aguentam a luz; e, no segundo, quando se observa algo que nao se espera, e este o parece como uma forma indescritível do horror, assusta-o. Causa aversão e medo.
Então, limita-se, assim, consideravelmente aqueles que podem enxergar, a priori, sua verdadeira essência.
Momentos insuportáveis seria o que posso proporcionar aos que a minha volta se encontram. Não mascaro a realidade. Não a distorço. Simplesmente, me alimento dela.
Não acredito no além-vida, não acredito em recompensas de um paraíso além da concretude do real. Nao sou platônico.
Não pretendo me afogar em um lago congelado de mentiras de um falso mundo.
Sou o que sou, dentro das opções do que posso Ser. Talvez, isso me deixe sozinho no meio da multidão.

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