
Ardente se encontra meu espírito. Puro brilho. Ofuscante Ser. Alma ígnea.
Sou abalroado por sentimentos que faíscam e fulguram diante da realidade que me cerca.
Por vezes, me faço rogado. Forço- me a ostentar um semblante brando, enquanto meu pesar e refletir, são como duas galáxias colidindo entre si, puro pulso de energia brilhante.
Penso no porque de me ater preso a uma capa, um corpo; tornando-me , assim, escondido, oculto... inexprimível.
Soturnamente, meu cérebro, faz-se cruel. Malditos e execráveis engendros psicológicos. A máscara me é imposta automaticamente. Sem intervenção da razão.
Não permito de bom grado que se torne a sobrevivência ontológica de meu Ser os estratagemas psicológicos de meu cérebro. Combato-o com meu pensar, racionalizar.
Não pretendo ser conivente com os firmamentos cristãos. Minha existência não pode ser pautada pela falta de razão, baseada em dogmas. Não quero o meu espírito pautado por receios escatológicos ou recompensas paradisíacas, como representa o triptíco de Bosh: O Jardim das Delícias.
Quero explodir com a força de mil sóis. Ser quem sou: uma indizível quantidade de energia radiante. Devo ser a canção da vida, sua doce fruição.

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