
O temor que me ocorre, ao observar a decrepitude do corpo, pelo apetite voraz de Chronos, me deixa perplexo.
Uma anciã caminha, o corpo já desgastado pelo “o que tudo devora”, hesita e falha, caindo. e com a queda, o romper do tecido epidérmico, seu sangue esvai. Pessoas ao redor, piedosas a convalescença da idade, socorrem-na. Mas já sem tempo.
Então, já absorto por aquela imagem, verifico o contraste entre o vestido da velha senhora, representante de sua vaidade, longo e amarelo, com bordados no colo e nas mangas, lhe confere um ar retrô, jovial e ativa; ao ser abalroada por “aquele que anseia o fim alheio”, se desfaz. Aceita aquele certeiro golpe do fim. O seu vestido, outrora repassando uma intenção confiante em sua jovial cor, se mistura com o vermelho da vida,seu suprimento vital: sangue.
Vermelho no amarelo, amarelo no vermelho. Temor, dor, morte.
E, então, não há como deduzir se a vida daquela ser , que agora se esvai em ossos fragmentados e sangue escorrido, poderia se enquadrar no que consentimos como: algo produtivo para si e a humanidade.
Coloco-me a divagar: será, que o seu aperfeiçoamento como auto consciência, pode levar a mais algum outro ser, as “boas qualidades” do ser humano, ou deverá Chronos absorvê-la dentro de sua limitada vida sem aproveitamento. Ficara enclausurada em uma casa cheia de poeira, a qual a vida inteira se pôs a arrumá-la???
A resposta sempre ficará no vazio, pois é no vácuo que se refugia a incerteza.
Será que o destino me reserva o mesmo fim??? Doloroso, cruel e improdutivo??? Ou, talvez, estaria eu com todas as ferramentas prontas para construir o devir???
Quem sou? O que sou? O que serei?? Haverá resposta a isso?????
Realmente, depende somente de mim? Ou as condições impostas por uma cultura decadente e uma vida limitada, pela voraz saciedade de uma entidade, que faz sucumbir até a mais brilhante estrela???
Será que o tempo é uma dádiva ou uma maldição?
Será uma imposição dos deuses para lembrar-nos quem somos??
Qual a função da mortalidade na consciência????

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